Dra. Renata E. Cassiano

Tenotomias e alongamentos tendinosos

Muitas condições ortopédicas e neuromusculares na infância podem levar ao encurtamento de tendões e músculos. Quando isso acontece, a criança pode apresentar dificuldades para caminhar, alinhar os pés ou até mesmo para se posicionar com conforto.

As tenotomias e os alongamentos tendinosos são procedimentos cirúrgicos planejados com precisão, com o objetivo de reduzir essas tensões e melhorar a funcionalidade do corpo em crescimento.

A tenotomia consiste na secção (corte) parcial ou total de um tendão que está excessivamente encurtado ou tenso.

Ao realizar essa liberação controlada, favorecemos que a articulação recupere um alinhamento mais adequado. No tratamento do pé torto congênito, a tenotomia do tendão de Aquiles permite que o calcanhar desça, favorecendo um pé mais alinhado e funcional.

Diferente da tenotomia, o alongamento tendinoso tem como objetivo aumentar o comprimento do tendão sem realizar sua secção completa.

Por meio de incisões estratégicas, o tendão é alongado e reposicionado para permitir maior amplitude de movimento.

É frequentemente utilizado em casos de espasticidade, como na paralisia cerebral, para tratar contraturas em joelhos, quadris ou tornozelos, facilitando a marcha e o uso de órteses.

A decisão por uma intervenção cirúrgica é sempre baseada em uma avaliação detalhada da biomecânica da criança. As principais indicações incluem:

  • Marcha na ponta dos pés persistente, quando o encurtamento do tendão de Aquiles impede o apoio do calcanhar;
  • Deformidades fixas, quando abordagens como fisioterapia e gessos já não promovem ganho de mobilidade;
  • Risco de desalinhamento articular, como em situações que podem evoluir para luxações;
  • Melhora do conforto e da higiene, especialmente em quadros neurológicos mais complexos.

A abordagem prioriza técnicas minimamente invasivas, o que tende a proporcionar uma recuperação mais rápida e com menor desconforto.

Em alguns casos, é necessário o uso de gesso por algumas semanas para permitir a cicatrização do tendão no novo comprimento. A fisioterapia é fundamental no pós-operatório, ajudando o músculo a se adaptar à nova amplitude de movimento e promovendo o fortalecimento adequado.

Os procedimentos são realizados com planejamento individualizado, com foco não apenas na correção estrutural, mas principalmente no ganho funcional e na qualidade de vida da criança.

Seu filho apresenta encurtamentos musculares ou dificuldade de movimento?

Agende uma avaliação técnica para discutir as melhores estratégias de tratamento!