Dra. Renata E. Cassiano

Desenvolvimento da marcha e membros inferiores

O caminhar da criança é um processo complexo que envolve ossos, músculos e o sistema neurológico em pleno desenvolvimento. Ao longo do crescimento, é natural surgirem variações no padrão da marcha e no alinhamento das pernas.

Meu papel é acompanhar essa evolução de forma cuidadosa, diferenciando o que faz parte do amadurecimento natural daquilo que realmente exige intervenção.

É comum observar crianças que, ao começar a andar ou mesmo já maiores, caminham apoiando apenas a parte da frente dos pés.

Em muitos casos, trata-se da chamada marcha idiopática, uma condição em que a criança anda na ponta dos pés sem causa neurológica ou ortopédica identificável, e que tende a melhorar com o tempo.

A avaliação especializada é importante quando a criança não consegue apoiar o calcanhar no chão, apresenta marcha assimétrica ou tem quedas frequentes. O tratamento, quando necessário, pode envolver alongamentos, fisioterapia e, em casos selecionados, gessos seriados ou aplicação de toxina botulínica.

O alinhamento dos joelhos muda naturalmente conforme o crescimento da criança.

  • Genu varo (pernas arqueadas): é comum em bebês até cerca de 2 anos, devido à posição intrauterina.
  • Genu valgo (joelhos em “X”): costuma ocorrer entre os 3 e 6 anos, como parte do desenvolvimento normal.

 

Na maioria dos casos, o alinhamento se corrige espontaneamente até os 8 anos. A intervenção é indicada apenas quando a deformidade é acentuada, assimétrica ou causa dor. Nesses casos, podem ser utilizadas técnicas como a hemiepifisiodese, que orienta o crescimento ósseo de forma controlada.

Muitas crianças relatam dores nas pernas, principalmente à noite, o que pode gerar preocupação nos pais.

A chamada “dor do crescimento” é uma condição benigna e comum na infância, caracterizada por dor musculoesquelética sem causa estrutural identificável. Geralmente ocorre no final do dia ou à noite, acomete ambas as pernas e não causa mancar ou inchaço.

Compressas mornas, massagens e acolhimento costumam aliviar os sintomas. Mas se a dor vier acompanhada de febre, vermelhidão, perda de peso ou se a criança passar a mancar durante o dia, é fundamental realizar uma avaliação ortopédica para descartar outras condições.

O olhar estratégico da ortopedia pediátrica

No consultório, a avaliação da marcha vai além da observação estática. Analiso o movimento, a biomecânica, o equilíbrio e a força muscular para garantir que seu filho desenvolva uma base sólida para crescer com saúde e autonomia.

Notou algo diferente no jeito do seu filho caminhar?

Aqui, ele é avaliado de forma completa e humanizada!