Dra. Renata E. Cassiano

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Tenotomia de Aquiles:

O que é e por que é importante para o sucesso do Método Ponseti?

Dra. Renata E. Cassiano

09/06/2026

Para as famílias que iniciam a jornada de tratamento do Pé Torto Congênito através do Método Ponseti, o termo “tenotomia” pode gerar dúvidas e até um pouco de receio. No entanto, esse procedimento é uma etapa planejada, simples e decisiva para garantir que o pezinho da criança atinja o alinhamento correto e funcional.

Neste artigo, vamos entender por que essa pequena intervenção é considerada a chave para o sucesso do tratamento.

O que é a tenotomia de Aquiles?

A tenotomia de Aquiles é um procedimento minimamente invasivo realizado para fazer um pequeno corte no tendão de Aquiles (o tendão do calcanhar). No pé torto congênito, esse tendão é encurtado e muito rígido, impedindo o calcanhar de descer para a posição plana.

Diferente de uma cirurgia convencional, a tenotomia no Método Ponseti é feita de forma rápida, geralmente sob anestesia local, e não necessita de pontos, apenas um pequeno curativo.

Por que ela é necessária?

Após semanas de manipulações e trocas de gessos seriados, conseguimos corrigir quase todas as deformidades do pé torto. Porém, o tendão de Aquiles encurtado muitas vezes impede a correção final da posição do calcanhar.

Sem a tenotomia, o pé pode parecer corrigido externamente, mas o tendão continuaria encurtado, o que pode levar a recidivas (o pé voltar a entortar) e dificuldades futuras para caminhar. A liberação do tendão permite que o pé alcance o ângulo de flexão necessário para uma marcha funcional.

O tendão se regenera?

Essa é uma das maiores preocupações dos pais, e a resposta é sim. O tendão de Aquiles do bebê possui uma grande capacidade de recuperação.

Logo após o procedimento, um último gesso é colocado e mantido por cerca de 3 semanas. Durante esse período, o corpo preenche o espaço da pequena incisão com um novo tecido que se organiza e passa a desempenhar a função do tendão, agora no comprimento adequado para o alinhamento do pé.

Ao retirar o último gesso, o tendão já está cicatrizado e funcional.

O que esperar após o procedimento?

O cuidado após a tenotomia é focado na manutenção da correção alcançada e na cicatrização adequada. O último gesso aplicado deve permanecer íntegro e seco durante o período de três semanas, tempo necessário para a regeneração do tendão no comprimento ideal.

Imediatamente após a retirada deste gesso, inicia-se o uso da órtese de abdução, uma etapa fundamental para prevenir que o pé retorne à posição inicial. Quanto ao bem-estar da criança, como o procedimento é minimamente invasivo, a maioria dos bebês retoma sua rotina de sono e amamentação rapidamente, apresentando pouco ou nenhum desconforto logo após as primeiras horas.

A tenotomia de Aquiles não deve ser vista como um retrocesso, mas sim como uma etapa essencial para a liberdade de movimento do seu filho. Quando realizada por um especialista treinado no Método Ponseti, ela é o passo final que contribui para um pé flexível, funcional e preparado para os primeiros passos.

Seu filho recebeu o diagnóstico de pé torto congênito?

O início precoce do tratamento é um dos fatores mais importantes para o sucesso!

Vamos conversar sobre as etapas do Método Ponseti e como garantir o melhor desenvolvimento para o seu pequeno.